Pagu
escreveu certa vez:
"... a minha gata é safada e corriqueira...
arremeda "picassol"
trepa na trave do galinheiro e preguiçozamente escancara a
boca e as pernas.
... a minha gata é vampira...
mimo de um italiano velho e apaixonado, general de brigada, dois metro de altura
pelado e sentimental, atavismo,
o luxo da minha gata é o rabo
ela pensa que é serpente..." (Patricia Galvão)
Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, interpretou seu ato solo de 1910 a 1962, um espetáculo lindo e rico, cheio de sentimento e amor como todas as mulheres aqui comentadas. foi escritora e jornalista; desde a juventude surpreendeu pela ousadia e atrevimento. Casou-se com Osvaldo de Andrade, com quem teve um filho, foi militante do Partido Comunista, sendo presa algumas vezes durante greves e acusada de “agitadora”. Durante o período em que foi jornalista, esteve no Oriente, de onde trouxe a soja para o Brasil. Em Santos, década de cinqüenta, trabalhava no jornal A Tribuna de Santos, já havia se separado de Oswald de Andrade e era respeitada na cultura brasileira por suas muitas contribuições culturais e literárias. No jornal, conheceu Geraldo Ferraz, com quem se casou. Lutou pela construção do Teatro Municipal de Santos e contribuiu fortemente para o desenvolvimento de uma tradição teatral na cidade, firmada, sobretudo, no seu contato com importantes críticos, professores e diretores teatrais da Escola de Arte Dramática de São Paulo, que, por Pagu, periodicamente vinham a Santos oferecer sua contribuição ao panorama local. Uma brasileira ousado e forte que contribuiu grandiosamente para a cultura brasileira.
Como diria Rita Lee “Sou rainha do Meu tanque/ sou Pagu indignada no palanque”, mais que uma figura política, Patrícia Galvão é um exemplo da mulher brasileira.

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