Quem sou eu

Dourados, MS, Brazil
A 6.12 é um espaço de treinamento , que tem como base busca de poéticas, utilizando-se das experiências corporais vivenciadas cotidianamente pelos seus atores e colaboradores, no desenvolvimento de uma arte teatral que una a pratica à pesquisa.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Pagu

escreveu certa vez:
"... a minha gata é safada e corriqueira...
arremeda "picassol"
trepa na trave do galinheiro e preguiçozamente escancara a
boca e as pernas.
... a minha gata é vampira...
mimo de um italiano velho e apaixonado, general de brigada, dois metro de altura
pelado e sentimental, atavismo,
o luxo da minha gata é o rabo
ela pensa que é serpente..." (Patricia Galvão)


Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, interpretou seu ato solo de 1910 a 1962, um espetáculo lindo e rico, cheio de sentimento e amor como todas as mulheres aqui comentadas. foi escritora e jornalista; desde a juventude surpreendeu pela ousadia e atrevimento. Casou-se com Osvaldo de Andrade, com quem teve um filho, foi militante do Partido Comunista, sendo presa algumas vezes durante greves e acusada de “agitadora”. Durante o período em que foi jornalista, esteve no Oriente, de onde trouxe a soja para o Brasil. Em Santos, década de cinqüenta, trabalhava no jornal A Tribuna de Santos, já havia se separado de Oswald de Andrade e era respeitada na cultura brasileira por suas muitas contribuições culturais e literárias. No jornal, conheceu Geraldo Ferraz, com quem se casou. Lutou pela construção do Teatro Municipal de Santos e contribuiu fortemente para o desenvolvimento de uma tradição teatral na cidade, firmada, sobretudo, no seu contato com importantes críticos, professores e diretores teatrais da Escola de Arte Dramática de São Paulo, que, por Pagu, periodicamente vinham a Santos oferecer sua contribuição ao panorama local. Uma brasileira ousado e forte que contribuiu grandiosamente para a cultura brasileira.
Como diria Rita Lee  “Sou rainha do Meu tanque/ sou Pagu indignada no palanque”, mais que uma figura política, Patrícia Galvão é um exemplo da mulher brasileira.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Frida Kahlo - Nossas inspirações... Nossas mulheres.. Nossas Musas!

FRIDA KAHLO



Frida Kahlo nasceu em 6 de julho de 1907 na casa de seus pais, conhecida como La Casa Azul (A Casa Azul), em Coyoacán, que naquela época era uma pequena cidade nos arredores da Cidade do México. Filha de Guillermo Kahlo (1871-1941), Matilde Calderón y Gonzalez; tinha duas meia irmãs mais velhas.
Cresceu em um mundo cercado por mulheres. Durante a maior parte de sua vida se manteve próxima a seu pai.
Em 1913, com seis anos, Frida contrai poliomielite, sendo esta a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofre ao longo de sua vida. A poliomielite deixa uma lesão no seu pé direito e, graças a isso, ganha o apelido Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). A partir disso ela começou a usar calças e depois, longas e exóticas saias, que vieram a ser uma de suas marcas pessoais.
Ao contrário de muitos artistas, Kahlo não começou a pintar cedo. Embora o seu pai tivesse a pintura como um passatempo, Frida não estava particularmente interessada na arte como uma carreira.
Entre 1922 e 1925 frequenta a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México e assiste a aulas de desenho e modelagem.
Em 1925, aos 18 anos aprende a técnica da gravura com Fernando Fernandez. Porém sofreu um grave acidente, tendo de usar vários coletes ortopédicos de materiais diferentes, chegando inclusive a pintar alguns deles (por exemplo o colete de gesso na tela intitulada A Coluna Partida), fez várias cirurgias e ficou muito tempo acamada. Durante a sua longa convalescença, começou a pintar com uma caixa de tintas que pertenciam ao seu pai, e com um cavalete adaptado à cama.
Procurou na sua arte afirmar a identidade nacional mexicana, por isso adotava com muita frequência temas do folclore e da arte popular do México.
“Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade.”
Em 1953 a Galeria de Arte Contemporânea desta mesma cidade organiza uma importante exposição em sua honra, a qual visita contrariando a todos, sobre uma cama, pois seus médico disse que não deveria levantar-se da cama, mas não disse que a cama não poderia ir até a exposição.
Frida teve um casamento conturbado com Riveira, entre separações, traições e brigas escandolasas, permanceram juntos até sua morte, a beleza de sua arte provavelmente se dê por serem sua própria realidade, suas telas provocam sentimentos contraditórios da beleza a crueldade.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A 6.12 CIA TEATRAL

Deseja um ano novo de muita merda pra todos nós!


Que Dionísio nos acompanhe em todos os aspectos de nossa vida!
Um ano criativo e artístico para todos!



Um 2011MARAVILHOSO!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Nossas inspirações... Nossas mulheres.. Nossas Musas!

                                                                            EDITH PIAF

Edith Giovanna Gassion,  conhecida como Edith Piaf, nome artístico (PIAF = pardal).
Francesa e bem humorada, foi uma mulher forte e corajosa que logo transformou sua dor em arte, de cantora de rua passou a ser uma das maiores celebridades francesas,


- entre muitos cigarros e alcool-


Abandona os palcos e fica impedida de cantar por problemas de saúde antes do que gostaria e falece ainda jovem aos 47 anos, desejando que toda mulher “Ame”, alias este erá seu unico desejo, por isso foi feliz, porque amou.


"Não absolutamente nada
Não, eu não lamento nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal
Isso tudo me é indiferente
Não absolutamente nada
Não, eu não lamento nada
Está pago
Varrido
Esquecido
Dane-se o passado
Com minhas lembranças
                                    Acendi o fogo
                                    Minhas mágoas, meus prazeres
                                    Não preciso mais deles
                                    Varridos os amores
                                    Com todos os seus tremores
                                    Varridos para sempre
                                    Vou recomeçar do zero
                                    Não, absolutamente nada
                                    Não, eu não lamento nada
                                    Nem o bem que me fizeram
                                    Nem o mal
                                    Isso tudo me é indiferente
                                    Não, absolutamente nada
                                    Não, eu não lamento nada
                                    Pois minha vida
                                    Pois minhas alegrias
                                    Hoje
                                    Isso tudo começa com você"



 

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A 6.12 Cia Teatral deseja um Feliz Natal a todos.


Um natal recheado de arte, boa música e felicidade!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Teatro e a Peste

Antes de se caracterizar qualquer mal-estar físico ou
psicológico, espalham-se pelo corpo manchas vermelhas,
que o doente só percebe, de repente, quando se tornam
escuras. Ele nem tem tempo de se assustar, e sua cabeça
já começa a ferver, a tornar-se gigantesca pelo peso, e ele
cai. Então, é tomado por uma fadiga atroz, a fadiga de uma
aspiração magnética central, de suas moléculas cindidas
em dois e atraídas para sua aniquilação. Seus humores
descontrolados, revolvidos, em desordem, parecem galopar
através de seu corpo. Seu estômago se embrulha, o
interior de seu ventre parece querer sair pelo orifício dos
dentes. Seu pulso, que ora diminui até tornar-se uma sombra,
uma virtualidade de pulso, ora galopa, segue a efervescência
de sua febre interior, a turbulenta desordem de
seu espírito. O pulso batendo através de golpes precipitados
como seu coração, que se torna intenso, pleno, barulhento;
o olho vermelho, incendiado e depois vítreo; a
língua que sufoca, enorme e grossa, primeiro branca, depois
vermelha e depois preta, como que carbonífera e
rachada, tudo isso anuncia uma tempestade orgânica sem
precedentes. Logo os humores trespassados como a terra
pelo raio, como um vulcão trabalhado pelas tempestades
subterrâneas, procuram a saída para o exterior. No meio
das manchas criam-se pontos mais ardentes, ao redor desses
pontos a pele se ergue em pelotas como bolhas de ar
sob a epiderme de uma lava, e essas bolhas são cercadas
por círculos, o último dos quais, como um anel de Saturno
ao redor do astro em plena incandescência, indica o
limite extremo de um bubão.
O corpo fica cheio de bubões. Mas, assim como os
vulcões têm seus lugares eleitos sobre a terra, os bubões
também têm lugares eleitos no corpo humano. A dois ou
três dedos da virilha, sob as axilas, nos locais preciosos
onde glândulas ativas realizam fielmente suas funções,
aparecem bubões, através dos quais o organismo descarrega
ou sua podridão interior ou, conforme o caso, sua
vida. Uma conflagração violenta e localizada num ponto
indica na maioria das vezes que a vida central nada perdeu
de sua força e que uma remissão do mal ou mesmo
sua cura é possível. Assim como o cólera branco, a peste
mais terrível é a que não divulga suas feições.
Aberto, o cadáver do pestífero não mostra lesões. A
vesícula biliar, encarregada de filtrar os dejetos entorpecidos
e inertes do organismo, fica inflada, quase estourando,
cheia de um líquido escuro e pegajoso, tão compacto
que lembra uma matéria nova. O sangue das artérias,
das veias, também é preto e pegajoso. O corpo fica
duro como pedra. Nas paredes da membrana estomacal
parecem ter despertado inúmeras fontes de sangue. Tudo
indica uma desordem fundamental das secreções. Mas não
há nem perda nem destruição de matéria, como na lepra
ou na sífilis. Os próprios intestinos, lugar dos distúrbios
mais sangrentos, onde as matérias atingem um grau inusitado
de putrefação e petrificação - os intestinos não
estão organicamente atacados. A vesícula biliar, de onde
é preciso quase arrancar o pus endurecido, como em alguns
sacrifícios humanos, com uma faca afiada, um instrumento
de obsidiana, vítreo e duro - a vesícula biliar está
hipertrofiada e quebradíça em alguns lugares, mas intacta,
sem lhe faltar nenhum pedaço, sem lesão visível, sem
matéria perdida.
No entanto, em certos casos os pulmões e o cérebro
lesados ficam escuros e gangrenados. Os pulmões amolecidos,
fragmentados, desfazem-se em pedaços de uma
matéria preta qualquer e o cérebro está fundido, gasto, pulverizado,
reduzido a pó, desagregado numa espécie de
pó de carvão preto.
Daí, devem-se destacar duas observações importantes:
a primeira é que as síndromes da peste dispensam a
gangrena dos pulmões e do cérebro, o pestífero não apresenta
apodrecimento de nenhum de seus membros. Sem
subestimá-la, o organismo não requer a presença de uma
gangrena localizada e física para determinar sua própria
morte.
A segunda observação é que os dois únicos órgãos
realmente atingidos e lesados pela peste, o cérebro e os
pulmões, são os que dependem diretamente da consciência
e da vontade. Podemos impedir-nos de respirar ou de
pensar, podemos precipitar nossa respiração, ritmá-la à
vontade, torná-la voluntariamente consciente ou inconsciente,
introduzir um equilíbrio entre os dois tipos de respiração:
o automático, que está sob as ordens diretas do sistema
simpático, e o outro, que obedece aos reflexos do
cérebro tornados conscientes.
Também podemos precipitar, tornar mais lento e ritmar
o pensamento. Podemos regulamentar o jogo inconsciente
do espírito. Não podemos dirigir a filtragem dos
humores pelo fígado, a redistribuição do sangue através
do organismo pelo coração e pelas artérias, controlar a
digestão, parar ou apressar a eliminação das matérias do
intestino. A peste, portanto, parece manifestar sua presença
nos lugares, afetar todos os lugares do corpo, todas as
localizações do espaço físico, em que a vontade humana,
a consciência e o pensamento estão prestes e em via de
se manifestar. ANTONIN ARTAUD